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Pele na gravidez

A pele é o maior órgão do nosso corpo e não fica imune as alterações endocrinológicas e metabólicas que ocorrem durante a gestação

Se todo o seu organismo muda com a chegada do bebê, imagine o que acontece com o maior órgão do corpo, a pele, durante a gestação. Muito além da preocupação estética, cuidar da pele durante a gestação é uma questão de saúde. A revolução que os hormônios promovem no corpo da mulher grávida afeta a pele de várias maneiras. Auréolas do seio e vulva escurecem e surge a linha escura, um indicador irrefutável da gravidez.

O dr. Gilvan Alves, mestre em Dermatologia pela Universidade de Londres e membro da Royal Society of Dermatology (Reino Unido), avisa: “As mulheres sofrem inúmeras modificações na pele durante a gestação e nós, dermatologistas, ajudamos a conduzir as pacientes durante esse período de grande transformação. A maioria das mudanças no corpo decorre de alterações hormonais. As primeiras caracterizam-se por grandes elevações de estrogênio, progesterona, beta HCG, prolactina e uma variedade de hormônios e mediadores que alteram completamente as funções do organismo. As intensas alterações imunológicas, endócrinas, metabólicas e vasculares tornam a gestante susceptível a mudanças na pele”, explica dr Gilvan que defendeu uma tese de mestrado sobre a pele na gestação.

Por esses motivos muitas grávidas procuram tratamentos de pele, mas nem todo tratamento é indicado. De acordo com dr. Gilvan Alves o uso de hidratantes e protetor solar estão liberados. “Dê preferência aos produtos direcionados as gestantes”, indica. Geralmente esses produtos são hipoalergênicos, o que diminui a possibilidade de irritação na pele.

Dr. Gilvan afirma ainda que é possível tratar acne e manchas durante a gestação, pois a pele oleosa durante a gravidez é uma das mudanças inevitáveis. “Há medicamentos tópicos (ou seja, para aplicação local) que são seguros, mas precisam ser prescritos por um especialista”, alerta.

O médico ainda destaca que há outras alterações fisiológicas como: o escurecimento da pele; o surgimento de pequenos vasos no colo e na face e o avermelhamento de pés e mãos.

Contrapondo com a pele do rosto, a pele do corpo já fica seca e muito carente de hidratação. A retenção de líquidos e o inchaço, comuns no período, podem influenciar na absorção de substâncias pela pele. “A pele da gestante fica mais hidratada e por isso a chance de absorver substâncias em contato com ela é maior. Isto aumenta o risco de irritação”, alerta dr. Gilvan. “A hidratação pode ser feita com cremes à base de uréia, gluconolactato, óleo de amêndoa ou semente de uva”. A restrição fica por conta do ácido retinóico, substância que pode causar má-formação fetal e, por isso, deve ser evitado. Outras substâncias que podem causar deformidade fetal são o retinaldeído, alumínio e chumbo. Segundo o dermatologista, alguns desses produtos são chamados de cosmecêuticos, que interagem com o metabolismo. “Pelo conceito da ANVISA, cosmético não pode interagir no metabolismo da pele. Portanto os únicos produtos que as gestantes estão autorizadas a adquirir sem orientação médica são os cosméticos”, explica ele.

Repelentes

Gestantes podem sim se proteger contra picadas de mosquitos, apesar de muitas grávidas se preocuparem com a própria saúde e a do bebê em relação a aplicação de repelentes na pele.

“As mulheres devem utilizar produtos com longa duração na pele. Repelentes recomendados para gestantes são os mesmos para adultos, não havendo diferenciação em função da gravidez. A versão para adultos costuma possuir seis horas de duração, já a infantil apenas duas horas. O ideal é que a grávida fique protegida por mais tempo”, explica o dermatologista.

O especialista diz que repelentes naturais possuem rápida evaporação e período de proteção muito curto, somente entre 10 e 20 minutos, não sendo considerados, portanto, seguros para gestantes.

“O ideal é que a mulher reaplique o produto uma vez ao dia. Lembrando que o Aedes aegypti tem hábitos diurnos, então o uso do repelente se faz mais necessário durante o dia. Não precisa emplastar a pele com o produto e nem usá-lo em partes que ficam cobertas por roupas.
O repelente deve ser o último a ser aplicado. Hidratantes, filtros solares e maquiagem vêm primeiro, o repelente é usado por cima desses produtos”, explica o dermatologista, que acrescenta: “Não se deve colocar repelente nas áreas próximas aos olhos, nariz
e boca, pois esse produto pode irritar as mucosas”, finaliza Gilvan Alves.ca explica: “Desde que não faça pressão na matriz da unha, por que pode deformar a base, não tem problema”, explica. A dermatologista alerta que a matriz da unha deve sempre ser preservada.