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Fundador do Grupo Aepit fala sobre a importância da dermatologia e do perigo do câncer de pele

Médico há mais de 20 anos, mestre em Dermatologia pela Universidade de Londres e sócio efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Dr. Gilvan Alves é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica e de associações internacionais como a American Academy of Dermatology (EUA), International Academy of Cosmetic Dermatology (EUA) e da Royal Society of Dermatology (Reino Unido) e referencia quando o assunto é pele.

Em Brasília desde 1999, fundou a Aepit, hoje Grupo Aepit e faz parte da história da dermatologia no Distrito Federal. Em entrevista, o especialista esclarece dúvidas que ainda existem sobre os cuidados com a pele, unhas, cabelos e mucosas e nos conta um pouco da sua história.

1 – Revista Aepit – Dr. Gilvan, pode começar nos contando um pouco sobre o nome da sua clínica, Aepit, é um nome de origem indígena?

Dr. Gilvan – Isso mesmo! Quando eu estava fazendo mestrado em Londres, conheci um paquistanês que me perguntou qual era a língua nativa do Brasil. Eu respondi que era o português, no automático mesmo. Mas então ele insistiu, disse que sabia qual era a língua dos nossos colonizadores, mas que gostaria de saber a língua nativa mesmo. Então eu falei que era o Tupi Guarani, que na verdade é uma família linguística com a maior distribuição geográfica no Brasil. Aquela conversa ficou na minha cabeça e quando eu retornei a Brasília e resolvi abrir minha clinica de dermatologia era o ano de 1999, se falava muito do aniversário dos 500 anos de descobrimento do nosso país, então resolvi homenagear nossa língua nativa. Entrei em contato com a Funai e falei com um Indio que me disse que em Tupi Guarani – pele era Aepit. E assim surgiu o nome.

2 – Revista Aepit – Quando devemos procurar um dermatologista?
Dr. Gilvan Alves – Sempre. O dermatologista cuida da pele, unhas, cabelos e mucosas e eles precisam ser avaliados periodicamente para sabermos se está tudo em ordem. Aprender a tratar a pele, prevenir contra queimaduras do sol, cuidar de acne e rugas e, claro, se houver um sinal ou pinta estranho, queda de cabelo, algum tipo de alergia deve-se procurar imediatamente o profissional.

3 – Revista Aepit – Tivemos acesso a uma pesquisa do Instituto Mauricio Pupo de Educação e Pesquisa (Ipupo) mostrou que 57% dos entrevistados não passam protetor solar. Essa é uma realidade?
Dr. Gilvan Alves – Infelizmente sim. E esse descuido pode ser comprovado em números apresentados pela Sociedade Brasileira de Dermatologia que mostra que 4,5 milhões de brasileiros já tiveram câncer da pele. Temos os erros comuns das pessoas ao cuidar da pele, não usar filtro solar diariamente, não aplicar de maneira correta o filtro solar, achar que em dias nublados ou chuvosos não precisa do filtro e usar maquiagens, que contenham filtro e achar que só isso já é o suficiente para se proteger são os erros mais frequentes.
Outros erros são usar filtro solar só no rosto e esquecer do corpo, se expor ao sol e querer se bronzear, fazer bronzeamento artificial e não ir ao dermatologista regularmente. A recomendação é se proteger do sol, usar o filtro solar diariamente, fazer o autoexame da pele e ir ao dermatologista. O sol não é um vilão, mas a exposição solar indiscriminada, desprotegida e intermitente pode torná-lo um vilão por ele ser o principal fator de risco para o câncer da pele.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que, no ano 2030, serão registrados 27 milhões de casos novos de câncer, 17 milhões de mortes pela doença e 75 milhões de pessoas vivendo com câncer. O maior efeito desse aumento incidirá em países em desenvolvimento. No Brasil, o câncer já é a segunda causa de morte por doenças, atrás apenas das doenças do aparelho circulatório.

4 – Revista Aepit – E há como reverter esse cenário?
Dr. Gilvan Alves – Todos nós, dermatologistas, e principalmente a Sociedade Brasileira de Dermatologia, SBD, estamos empenhados para conscientizar, informar e ensinar a população. Desde 2013, a SBD promove o Dezembro Laranja, que é uma iniciativa que faz parte do Programa Nacional de Combate ao Câncer da Pele, criado em 1999. Mas ainda há muito a ser feito. Primeiro precisamos fazer com que a gravidade do problema seja encarda de forma consciente. Depois precisamos ensinar a população a forma correta de prevenção. Não basta apenas passar o filtro solar, precisa-se saber qual a melhor indicação de fator de proteção para cada tipo de pele, por exemplo, a quantidade correta do produto, pois não adianta esparramar demais, enfim, todo um trabalho que deve ser feito junto com o Ministério da Saúde e grandes mídias, para que chegue ao conhecimento de todas as pessoas. Precisamos desenvolver ações fundamentais na prevenção e detecção contínua, apoiar o desenvolvimento científico e tecnológico voltado para a prevenção, o enfrentamento e o controle deste câncer. Um dos tipos, o Melanoma, é o câncer mais agressivo que uma pessoa pode desenvolver. Isso é muito sério.
A questão do câncer de pele é multifacetada. Em um país tropical como o nosso, a exposição ao sol não acontece apenas em momentos de lazer, como na praia, na piscina ou parques da cidade, mas também quando milhões de trabalhadoras e trabalhadores são obrigados, pelas características de suas funções, a enfrentarem os riscos de desenvolverem câncer de pele. É isso o que ocorre, só para se citarem alguns exemplos, com operários da construção civil, carteiros, trabalhadores rurais, agentes e guardas de trânsito, varredores de rua.
Alertar sobre os riscos, é valido, mas não é suficiente. É importante que se ensinem as formas de enfrentamento e prevenção. Entre elas, a mais importante é o uso de protetores solares, que reduz em 85% as chances de desenvolvimento do câncer e que precisa não apenas ser incentivado.

5 – Como médico dermatologista, qual seria o seu principal conselho para seus pacientes?

Dr. Gilvan – Cuide de sua pele, claro! Evite exposição desnecessária ao sol, aprenda a passar o protetor solar de forma adequada, não tome banho com água muito quente, hidrate sua pele e fique de olho em suas pintas. O câncer de pele é o câncer que mais se desenvolve nas pessoas, isso porque nossa pele é um órgão que está diretamente em contato com o mundo, por isso merece tanto nossa atenção e cuidado.
Também tenho dicas que sempre dou a quem vai a uma primeira consulta dermatológica, auxilia o médico e desta maneira se aproveita ao máximo a consulta: ir com roupas confortáveis; sem maquiagem alguma – mesmo que a paciente retire a maquiagem na hora da consulta a pele fica prejudicada para avaliação; não usar esmalte e se possível não retirar as cutículas de 2 a 3 dias antes da consulta; não fazer depilação – para que o corpo inteiro possa ser avaliado; não lavar os cabelos no dia; listar toda a medicação que esteja sendo tomada e contar ao dermatologista toda sua história pregressa de doenças. São dicas que podem ajudar no diagnóstico.